Não sou exatamente um cara do mundo das motos. Não entendo de cilindradas, não vivo procurando o próximo modelo e nunca sonhei em cruzar o deserto em duas rodas. Mas quando um amigo, Miguel Zugman fez um post sobre a série Long Way Round (de 2004), fiquei curioso pelas paisagens e descobri conversando com ele que ainda tem as sequencias: Long Way Down (de 2007), Long Way Up (2020) e Long Way Home (2025), resolvi dar uma chance. E que surpresa: fiquei simplesmente viciado. Assisti todos, um atrás do outro.
O que me prendeu não foram as motos, foram as paisagens e estradas que são sensacionais, mas principalmente a amizade. Ewan McGregor e Charley Boorman não estão só viajando, estão vivendo juntos, enfrentando cada estrada, cada frio, cada calor escaldante e cada imprevisto.
Quando a convivência é o maior desafio
Viajar milhares de quilômetros já é um desafio. Agora, imagine fazer isso lado a lado, todos os dias, por meses. A convivência contínua coloca qualquer relação à prova. A paciência, a tolerância e até a capacidade de respeitar o silêncio ganham um novo valor, a amizade madura não exige explicações o tempo todo, ela se conforta até no silêncio…
Na vida real é a mesma coisa. Eu, que sempre busco estar presente e me dedicar mais aos que estão ao meu redor do que a mim mesmo, sei o quanto isso pode ser desafiador. Às vezes não é o terreno difícil que nos desgasta, mas a intensidade da convivência, e mesmo assim, é ali que as amizades verdadeiras se mostram.
O propósito que segura a onda
O que faz Ewan e Charley seguirem adiante não é só o ronco das motos, mas o propósito. Eles não estão na estrada à toa: cada viagem tem um motivo maior, seja conhecer culturas, apoiar causas sociais ou simplesmente se provar capazes. E o interessante também é a relação de tempo entre cada temporada. Entre a primeira e a mais recente são vinte anos.
Isso também me fez pensar: nas amizades é igual. Quando existe um propósito maior, seja cuidar, apoiar, compartilhar vida, fica mais fácil atravessar as tempestades e os efeitos do tempo.
Escolhi amigos para serem meus sócios, escolhi amigos para comporem minha diretoria, já tem um bom tempo e, para a surpresa de muitos céticos, tem dado certo.
A estrada como metáfora
O que mais me marcou é que a estrada sempre surpreende. Tem buraco, tem atalho, tem paisagem de tirar o fôlego. E no fundo, a vida é assim também.
A melhor parte é ter alguém ao lado para rir das quedas, dividir a bagagem e brindar quando se chega ao destino. O que faz a viagem valer mais do que a chegada, na verdade, é a companhia.
Conclusão
Talvez eu não seja apaixonado por motos, mas sou apaixonado por amizades. E assistir a essa série me lembrou que amigos de verdade não aparecem só no mapa bonito, mas nas estradas difíceis, na poeira e no frio. No fim, é essa companhia que torna qualquer caminho inesquecível.





